Antes de ser grande, ser pequeno

janeiro 15, 2010

O que fazer para melhorar o ensino no Brasil? Não sei. Primeiro, porque desconheço o ideal, o “bom ensino”, e também por não ter clara a estratégia correta para alcançá-lo.

Quando se trata de resolver grandes questões, é preciso começar por ensaios menores. Não se pode querer mudar todo o sistema de ensino brasileiro sem testar, antes, com algumas poucas escolas de variadas características. Antes ainda, testar em si mesmo: é educando a si mesmo que se começa. Não me posso crer capaz de resolver a educação do País se mal comecei a minha própria.

Se entendemos algo, mesmo em parte, devemos cuidar de testá-lo na prática, em pequenas aplicações. Por quê? Para confirmar ou melhorar o produto de nossas reflexões e, dessa forma, chegar a reflexõs mais profundas e confiáveis. A evolução do entendimento será claramente observada ao longo do tempo, conforme o vamos moldando à prática, utilizando o que já observamos de suas aplicações anteriores.

Por que ensaios pequenos? Porque os erros são minimizados. Evita-se, assim, uma catástrofe de grandes proporções. Este blog, leitor, é um pequeno ensaio. Por isso disse no começo que não fazia questão de muitos leitores.

Isso nos previne contra dois males:

1) A paralisação de nossas ações, por acreditarmos que é impossível agir enquanto não tivermos plenas certezas. Com o pouco que sabemos ou achamos que entendemos, já podemos fazer alguma coisa. Praticar é como chamar a realidade para julgar o fruto de nosso saber.

2) A paralisação de nossas reflexões, por acreditarmos que já sabemos tudo e, se nossos atos dão errado, a culpa é dos outros. Não necessariamente verbalizamos ou mentalizamos isso, mas não raro agimos desse modo sem perceber.

Portanto, para um problema grande, é muito mais lógico partir de soluções pequenas, que vão crescendo com as práticas e ensaios, do que partir impacientemente para trabalhos muito superiores ao nosso tamanho.


Sobre os escritos passados

janeiro 11, 2010

São pouquíssimos os textos que escrevi de 2005 ou 2006 para trás que posso ler atualmente sem me sentir um tonto. Quase todos expressam tamanha distância do mundo real que chega a ser surpreendente o quanto mudei em tão pouco tempo. Eu espero que a posteridade leve em conta que, mais novo, eu era bastante desorientado. Ademais, que não se tente achar ali quase nenhuma semente de ideias posteriores, porque não as há.

A palavra tem adquirido para mim um valor diferente de lá para cá. Daí a diminuição considerável na frequência de meus escritos públicos. Não se trata mais de comunicar qualquer ideia momentânea só porque é possível apagá-la depois, mas sim de pensar, pensar muito antes de escrever e mais ainda antes de divulgar.

Outro fato curioso é que sem a leitura desses textos antigos, tenho a impressão de que sempre pensei nas coisas da maneira como penso hoje. Por isso a importância de registrar para si mesmo, em vez de expor aos outros; há coisas que pedem discrição. Uma delas é o pensamento ainda mal formado, que corremos o risco de descobrir estar equivocado tempos depois.


Movimento e conservação ao mandar arrumar a cama

dezembro 26, 2009

“Por que arrumar a cama se vou dormir de novo à noite?”
Era com essa frase, e suas devidas adaptações, que eu contestava na infância uma série de ordens maternas. Não via sentido em tarefas repetitivas e rotineiras, principalmente as que se estendiam para o resto da vida. É evidente que isso incluía comer, dormir, tomar banho, escovar os dentes. O leitor não se preocupe, que a imposição de minha mãe me impediu de subir aos degraus mais baixos do desasseio. Enrolações e argumentações eram inúteis; tomava para mim que meus pais eram imunes à voz da razão. Da minha razão, ao menos. Continuar lendo.


Duas vidas

novembro 29, 2009

Vivo duas vidas
Duas vidas vivo
Sou apenas um

Numa dessas vidas
Vou além de mim
Noutra sou comum


Um outro sofrimento

novembro 25, 2009

No alto
   (Não, de modo algum no alto,
   Que embora tenhas subido
   Mais que teus caros vizinhos,
   Tu estás longe do telhado!
   Digamos assim: num ponto)
Num ponto
Isolado
   (Sim, certamente isolado!)
Encontras a solidão.
Não é como aquela
Dos poetas,
   (Que os poetas, muitos são
   Demais sentimentalistas,
   Oh!, muito sentimentais!)
Nem a dos leitores dos poetas,
   (Ainda piores são esses!)
Ou a dos que não leem poesias.
   (Que podem esses saber
   dos temas do coração?)
É a solidão
Que escolheste,
   (Não por gostar de sofrer,
   Pois quem diria que gosta?)
É a solidão
Que veio junto com a tua escolha
De renunciar a tudo que é fácil.
   (E também, por tal motivo,
   Difícil de se largar)
Não sofres pela vaidade
Que se vale do autoengano
Para te fazer crer que és grande.
   (Eis outro caminho fácil,
   Difícil de se largar,
   E que não é, não, o teu!)
Sofres com a ignorância alheia,
Não porque ela te afeta
   (Chama-se a isso egoísmo,
   E não é este o teu mal.)
Mas porque ela te entristece.
E sofrerás sempre
Que teus filhos resistirem à tua educação
Que tua mulher não participar dos teus anseios
Que tua família ignorar o bem que por eles fazes
Que teus amigos te forem intolerantes e frios
Que teus compatriotas ignorarem teus conselhos
   (Mas te acalma: bem tu sabes
   O quanto são passageiros
   Esses trágicos momentos.
   Segue adiante, meu amigo,
   Que o mundo evolui contigo.)


Uma outra solidão

novembro 25, 2009

A eterna imagem das duas estradas
Que divergem e só por tomá-las
Nossas histórias estão traçadas
Sendo-nos impossível cambiá-las

Pois bem que há passos incanceláveis
Mas adiante, outra encruzilhada!
Acaso há destinos imutáveis?
Não! Isso é da preguiça a fachada

Há porém uma escolha que faço
Que embora possa voltar, não quero
É o caminho de mais curto espaço
Dele as melhores vistas espero

Nele algumas de minhas facções
Rebelam-se contra o meu poder
Os torpes, da farsa os campeões
Me atentam contra a ordem e o ser

Mas esta grata via, solitária
Eu a tomo e persisto em tomar
É a minha garantia diária
De manter em mim mesmo o meu lar


Dois

novembro 18, 2009

Luís chegou em casa e cumprimentou Amanda com um beijo. O dia no trabalho fora cansativo, como são quase sempre os dias no trabalho para todo mundo. A diferença é que tinha uma casa que era seu oásis, onde recarregava as energias, meditava sobre os dias passados e planejava os que viriam. Quase sempre, fazia chegar à mulher seus pensamentos, ouvia atentamente seus juízos e refletiam juntos sobre alguns problemas em comum. Foi o que aconteceu naquele dia, na cozinha, enquanto ela preparava o lanche.

- Não é fácil se encaminhar à superação e formar uma família diferente do comum quando os parentes não fazem a menor ideia do que significam nossos propósitos. Ainda não consegui esquecer o problema do último domingo…

Seu temperamento agitado era logo chamado ao equilíbrio pelas doces palavras de Amanda: Continuar lendo.


Sófocles – Édipo Rei

novembro 2, 2009

(Update: Se chegou aqui pelo Google, não deixe de ler este post também.)

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Sófocles – Édipo Rei
(link em inglês)

A leitura de um clássico sempre leva ao entendimento, entre outras coisas, da própria importância da leitura dos clássicos. São obras que se direcionam a questões profundas e universais com imagens muito bem construídas, levando a gratas reflexões. Eis algumas das que fiz ao ler Édipo Rei, de Sófocles. A ambos servem: quem conhece e quem nunca leu a peça. Continuar lendo.


Santos de tantos amores

outubro 26, 2009

Santos cidade de tantos
Amores e tantos prantos;
De heroicos bravos Andradas
Que desbravaram estradas
De liberdade e justiça
Para a nação insubmissa.
Santos de seu fundador
Brás Cubas. Nobre senhor,
Fez o Porto e a Casa Santa
De Misericórdia tanta.

“Santos” – de ouvir me agiganto
Que são tantos teus encantos.
Tuas glórias estão provadas
Nas tuas histórias contadas;
Nunca à Pátria foi omissa,
Nunca cedeste à preguiça.
És do povo de valor,
Monumento ao pátrio amor;
És da beleza que encanta;
És a nossa Terra Santa.


Prêmio Literário Poetas Caiçaras 2009

outubro 26, 2009

Fui indicado para participar do livro da poetisa Vanessa Ratton, a ser lançado no ano que vem, com a poesia José Bonifácio de Andrada e Silva. A ela, meus agradecimentos.

Aqui vocês encontram meu nome, no meio de outros 30. Ctrl+F deve resolver.

Não publico o meu vencedor soneto pois acho prudente esperar seu lançamento. Todavia, na próxima postagem os leitores conferirão a outra poesia inscrita, que não obteve premiação. (Havia limite de uma obra premiada por autor – e eu prefiro acreditar que foi esse o motivo!) Os mais perspicazes reconhecerão nesses versos o ritmo de Poe, o lirismo de Goethe e elogios tipicamente camonianos. Fora a humildade, claro.